Quando eu encontrar o amor…

Vou me curar.

A pessoa que me amar vai varrer todas as feridas e cicatrizes da minha alma.

Vou renascer, zerar meu passado, e terei todas as minhas necessidades supridas. Nós dois seremos um só.

Será?!

Sou de uma geração de mulheres que cresceu acreditando em príncipe encantado, bombardeada de estímulos incessantes: desenhos da Disney, comédias românticas, os famosos romances açucarados… Esse ser mágico, perfeito, portador de todas as respostas, que nasceu pronto, nos faria felizes para sempre.

Em algum momento da minha jornada, uma pergunta crucial me atravessou: e se eu tentar me salvar? E se eu construir autonomia sobre meus desejos e necessidades, e entender a relação romântica como um complemento, capaz agregar novos elementos à minha existência, feita de diversas texturas e cores, e não ser a razão da minha existência?

Nós, mulheres, sabemos como funciona: temos que estar prontas para quando ele chegar, atentas às suas necessidades e demandas, e supri-las. Sempre arrumadas, enfeitadas, até mesmo dóceis, afinal, a mocinha conquista e seduz pela sua alma alegre, sua disponibilidade infinita, sua natureza maleável.

Isso não quer dizer que não acredito no amor. Mas quando ele se transforma em ideal a ser alcançado, de maneira padronizada, descartando nossas nuances, medos, recuos, e no caso das mulheres, o protagonismo sobre nossas escolhas, merece um sinal de alerta.

Enquanto escritora, tentei criar uma história de amor mais humanizada, porque A garota napolitana, meu romance de estreia, é também, sobre o amor entre Nina e André.

Mas não se engane: para além dessa padronização, a jornada deles coloca em evidência justamente a humanidade de cada um, e, principalmente, o que interdita uma entrega impulsiva, ou previsível, onde tudo se encaixa perfeitamente.

Como minha primeira e sensacional leitora Amanda Gonzaga afirmou: O romance dela com André não é o principal fator. O amor deles vai ser uma consequência dela ficar bem.

E por que Nina tem que ficar bem? Por que ela é uma mulher que, como todas nós, foi vítima de diversos tipos de violência. Por isso, como aconteceu comigo, em algum momento da sua história, ela percebe que é responsável pela sua existência, e inverte o jogo: ela não tem que ser amada por um homem para ser curada, ela tem que aprender se curar para amar.

E você, ainda acredita em amor romântico como salvação?

Deixe um comentário