Em batalhas invisíveis, nos fazemos nas entranhas misteriosas do tempo.
Nas entrelinhas de suas artimanhas, resistimos?
Reter/deglutir/fundir-se:
No tempo de um deslumbramento, de um sussurro, no instante exato em que uma mágoa seca, e voltamos a caminhar, inundados de possibilidades abortadas, cavando a coragem necessária para criarmos outras;
No tempo (curto?) que a felicidade demora para nos reconfigurar, e nos fortalecer, e se despedir, querendo despejar esperança, que é saudade;
No tempo que demoramos em aceitar a chuva, para um pé mergulhar numa poça, para a luz compor uma fotografia, para uma música assaltar nossa alma, para um cheiro específico nos devolver um punhado do passado, para um aplauso inundar o mundo de encanto;
Na sabedoria infinita e visceral das crianças que, entregues às suas brincadeiras, fazem com que o tempo seja só delas, como um brinquedo.
Farta de um desejo, mais antigo que o tempo, de trilhar, sempre, o caminho da liberdade, tento me desfazer da minha coleção de relógios.
09/01/2014
Como perdemos a noção do tempo das coisas hoje em dia.
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Gostei do referencial da coleção de relógios e gostei mais ainda da ideia da criança dona do seu tempo, já que é dona do imaginário. Já o adulto, ao viver realidade, não é dono do seu tempo.
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Gostei da ideia da criança que tem o tempo para si justamente por ser criança, que tem para si tudo o que é imaginário. Já os adultos não o tem e o desperdiçam nas suas realidades…
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