Minha primeira crônica

Considero essa crônica o marco fundador do eu/escritora.

O ano era 1993, eu tinha 13 anos, quando comecei a experimentar as palavras.

Sobre ela, meu olhar de hoje, 32 anos depois, gosta do tom ingênuo, idealista, como uma matéria bruta que que seria modelada por muitas forças e vozes, nem todas generosas.

Mas a urgência em preservar o encantamento pela vida permaneceu.

O Sol

Sou como a chuva, que nasce no céu e morre no estalo do chão, sem rumo e muitas veze sem futuro.

Ou como o sol, que existe por não ter onde depositar tanto calor e disposição. E ainda como a lua, mãe da experiência, e seus filhos são as estrelas que brilham com tanta intensidade que às vezes assusta.

Sou como um pássaro, e suas asas são minha fonte de inspiração.

Minha alegria é ser livre, porque ser livre é ser justo, com a alma pura.

Sou meu espelho, e tento me refletir até chegar à conclusão de que sou perfeita, mas essa perfeição não será usada para provar que sou capaz, e sim para me trazer conforto na alma e paz no coração.

A garotinha Bianca Lunna, em 23/09/1993.