Por que escrevo?

Escrever é uma fome irracional.

Traduzir o impossível em linguagem requer um desejo quase doloroso de atravessar todas as barreiras do não dito.

Não acho que o ato de criar seja uma aventura, porque quem escreve é conduzido pela necessidade de construir, tijolo por tijolo, uma estrutura equilibrada na vontade pura. Em um corpo flexível.

E o que não cabe nessa criação rasga as veias desse corpo.

Escrever é solitário por germinar a vida, um fim em si mesmo, que torna possível a descoberta do horizonte.

Um silêncio foi parido, um ser vivo foi criado.

E então, o leitor desnuda o óbvio e absorve a promessa de vida, de luta e de encantamento.

Por isso, criar é um milagre.

09/04/1997