15 de agosto de 2025, o arquivo está pronto, formatado, o romance A garota napolitana foi revisado exatamente 18 vezes, é só apertar um botão.
Só?!
No exato momento em que fiz o upload para a plataforma Amazon, estava fisicamente sozinha. Mas todas as minhas partículas estavam preenchidas de expectativas, anseios finalmente despertos e reluzentes, pessoas que me ajudaram a cavar essa brecha e confiar nas bifurcações; meu eu de 13 anos que escrevia sem saber o motivo, meu eu de 20 que arriscou escrever o primeiro romance, meus alunos que escondiam sua arte em cadernos de desenhos e poesias em folhas soltas e amassadas, meus aliados, escritores e contadores de histórias, que me ajudaram a existir na clandestinidade reconfortante das leituras que atravessavam as madrugadas.
E a Bianca que finalmente lutava contra a invisibilidade, uma estrutura social machista e profundamente opressora que ainda determina qual é o lugar da mulher.
Camus, meu escritor preferido, afirmou que a beleza do ofício do escritor está na resistência à opressão, e essa é a semente da arte, a resistência. E ele acrescenta: portanto, na aceitação da solidão.
Entendo essa solidão no sentido existencial, porque ela pode e deve ser diluída. Não há solidão quando compartilhamos nossa poética e criamos um vínculo de reconhecimento e acolhimento com outros seres solitários, sedentos de poesia. Não há solidão quando compreendemos que somos nós mesmos dentro das nossas brechas, paixões e sonhos secretos. Quando um personagem e leitor se reconhecem e criam uma nova história.
Afinal, as brechas são estrelas e oásis que brotam em intermináveis desertos.
Os leitores chegam aos poucos, e formam um mosaico polifônico de visões de mundo, vivências, entendimentos, referências e questionamentos.
O leitor é o coração da obra, a pausa contemplativa, a arte que cria vida e expande suas raízes.
Por tudo isso, respondendo à Camus: desde que emergi como artista, oferecendo amorosamente A garota napolitana, tive a certeza de que nunca mais estaria sozinha.